terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Minha primeira experiência em edição

"Ih, desculpe, mas eu não sou editora, nunca editei", respondi para a diretora da BOA FORMA, Claudia Visoni, quando ela me encomendou um guia de moda. "Ah é? Pois agora você tá 'grávida' e... Dêxa ver... Daqui a três semanas vai parir um livrinho cheio de dicas bacanas, um guia de moda com boas dicas e sugestões".

O livrinho saiu e ficou ótimo.

Dicas úteis e atemporais.

Caprichamos nas dicas e na informalidade visual: simples porém bem-feito.

A equipe.

Ana Paula falou de celulite quando isso era pecado


Dezembro de 1997: minha capa na revista BOA FORMA com a modelo e atriz Ana Paula Arósio. Na época, ela era considerada um dos rostos mais lindos do mundo.

Equipe da revista dá boas-vindas à 1998!

Tô logo abaixo, à esquerda, de cabelo ruivo e calça preta.

Sumário: a coordenação de produção da capa foi de Tina Kugelmas.

"Bonita demais" foi o título da matéria. Eu queria outro.

"Eu tenho celulite" era meu título. Ana foi a primeira celebritie a dizer isso abertamente.

Ela mandou essa quando perguntei sobre celulite. "As pessoas devem encarar celulite como pêlo encravado. É uma anomalia, mas existe, ué! Vai fazer o quê?".

Ansiedade zero. Sucesso de Ana Paula também era a paz.

"O kung fu aumenta o poder de decisão", ela diz nessa entrevista.

Assinei perfil não autorizado de Maria Bethânia

Fiz a reportagem que ganharia texto final de Fred Suter - e chamada tarja preta na capa.

Era setembro de 1994 e quem me chamou foi a jornalista Elda Priami.

Eu tinha 27 anos e pouca experiência para assinar sozinha em INTERVIEW.

Mas caprichei na apuração. Era 1994, eu morava no Rio de Janeiro e já amava trabalhar.

Tanto que eu fazia "dois turnos": atuava como frila-fixo na redação de CARAS na Torre do Rio Sul das 9h às 16h, e, depois, fazia de casa frilas para o Palmério Dória, que era redator-chefe de INTERVIEW e diretor de redação de INTERVIEW SEXY.

Vinte anos mais velho que eu, o jornalista Fred Suter assinou o texto final. Nunca o conheci pessoalmente, mas estar nas páginas de INTERVIEW com ele me deu gás para seguir perseguindo os melhores. Quem é bamba sabe como eu persigo mesmo (alô, Cynthia de Almeida!).

Assinei no rodapé quando ainda usava o sobrenome do meu pai.

domingo, 7 de agosto de 2016

O rio e as margens de José Geraldo Couto


Esse texto que eu amo (e, por isso, o transcrevo abaixo), "O rio e as margens", foi publicado em 01 de maio de 2010 na Folha de São Paulo, jornal em que o crítico de cinema e jornalista José Geraldo Couto trabalhou por mais de 20 anos:

"Cada pessoa reage de um modo diferente a situações de pressão. Disso resultam em grande parte a diversidade, o fascínio e também as dificuldades e os perigos da convivência humana. Tudo isso para falar de Diego Souza e sua reação desaforada e intempestiva às vaias que parte da torcida palmeirense dirigia a ele no Parque Antarctica na noite de anteontem.
Longe de querer justificar ou, ao contrário, condenar os gestos desse tipo, sempre procuro me colocar por um momento no lugar do personagem em questão. Recentemente, por exemplo, Ronaldo, conhecido por sua educação e simpatia, mostrou o dedo médio em riste para torcedores que o hostilizavam à saída de um jogo. Dodô, quando ainda atuava no São Paulo, mandou uma 'banana' para a torcida tricolor que o vinha vaiando sistematicamente. Sem pensar muito no assunto, na época, cheguei a defender o desaforo do jogador como uma atitude humana, demasiado humana.
Há um poema de Brecht que considero iluminador. Diz algo como: 'Do rio que transborda, arrastando e destruindo tudo à sua volta, diz-se violento. Mas ninguém chama de violentas as margens que o comprimem'. Embora de intenção política, o poema vale também para a psicologia individual, para o caráter mais ou menos legítimo de desabafos, explosões de fúria, situações em que o sujeito transborda, 'sai de si'. Desde que não causem dano direto a outras pessoas, perdoamos essas explosões porque nos identificamos com elas, sabemos que somos passíveis de fazer algo parecido dependendo da situação. É fácil dizer: 'Mas um atleta profissional tem que estar preparado para enfrentar a pressão da torcida, a cobrança dos dirigentes, o assédio da mídia'. Muito mais difícil é, numa situação correlata, manter os nervos no lugar.
Cada indivíduo tem um pavio de tamanho diferente. Admiro a frieza e o 'savoir faire' de certos craques, que parecem crescer em contextos adversos. Romário é o caso supremo. Dava a impressão de até gostar de ser provocado, insultado, caçoado. Isso parecia aguçar seus instintos matadores. Lembro-me de um Corinthians x Flamengo, no Pacaembu, nos anos 90, quando o craque atuava pelo rubro-negro. Toda vez que ele pegava na bola, a Fiel o saudava com o coro de 'Romário, veado'. Meu filho, então com uns oito anos, e corintiano como eu, aderiu alegremente ao coro, servindo-se daquela lei tácita das arquibancadas que permite às crianças falarem palavrão na frente dos adultos e vice-versa. Eu só disse a ele: 'Não provoca a fera'.
Dito e feito. Flamengo 2 a 1, com dois gols de Romário. Em cada um deles, o craque correu perto do alambrado com a mão em concha em torno do ouvido, pedindo com a outra que a torcida elevasse o volume das vaias. Foi arrepiante. Uma coisa é admirar a frieza de Romário, outra exigir que um Diego Souza tenha a mesma reação. Simplesmente porque ele é Diego Souza, não Romário. É aí que entra a psicologia, de certo modo a ciência que estuda os limites de cada indivíduo e o melhor modo de lidar com eles. Mas, no mundo do futebol, ainda há quem ache que psicologia é frescura."

* transcrição do artigo "O rio e as margens", de José Geraldo Couto)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

"Não seja um repórter qualquer", diz Talese

Foto: Daigo Oliva/Folhapress

Elegância rima com perseverança, ingrediente que não pode faltar para um jornalista, segundo o pai do new journalism Gay Talese. "Você não pode ser um repórter como qualquer outro", afirma Gay Talese, em entrevista à Folha de São Paulo. "Tem que ter perseverança, ego e até arrogância." Clique aqui para ler a entrevista completa.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Pulp magazine

Foto: kocojim via Flickr

No estilo "pulp magazine" (baratinha, meio policialesca), essa revista foi lançada pela Avon Publicações em 1949. A capa vende "short fiction", "A Maldição dos Mil Beijos", do romancista inglês Sax Rohmer, criador do personagem Fu Manchu, mestre do crime. Custava uns dez centavos cada edição cheia de mistério, romance, humor e aventura.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Medalhas do jornalismo

"No jornalismo, crônica ou artigo é bronze; 
entrevista, prata; e reportagem, ouro"
Mylton Severiano, jornalista, autor de Realidade - História de Revista que Virou Lenda