quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Como realizar o impossível


Essa é a redação da CNN em Atlanta. A emissora a que todos assistem quando querem se informar estreou nos Estados Unidos em junho de 1980 debaixo de descrédito e zombaria: ninguém apostava no conceito de 24 horas de telejornalismo no ar. Seu líder, o empresário e esportista americano Ted Turner, tinha na equipe um bando de indomáveis.

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"Vou fazer isso porque um monte de gente dos altos escalões riu de mim. Fiquem de olho. Sou como um buldogue, que morde e não larga mais. Sabe por que meu veleiro de competição chama Tenacious, cara? Porque eu nunca desisto. Tenho várias bandeiras em meu barco, mas nenhuma branca. Eu nunca me rendo", disse Turner à PLAYBOY.


Uma década depois, a emissora de Turner virou a mais importante rede internacional de notícias, famosa pela cobertura ao vivo dos grandes acontecimentos mundiais.



"Eu só queria ver se era possível chegar lá - como Cristóvão Colombo. Quando se cria algo que jamais foi feito antes, quando se navega por mares não mapeados sem ter certeza do destino, sem saber o que pode ser encontrado no final da jornada, pelo menos a gente está seguindo para algum lugar".

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Quem conta essa história é o jornalista e escritor americano Hank Whittemore, no livro CNN - A História Real, da editora Best-Seller (à venda na Estante Virtual). 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Dicionários para colecionar: Dificuldades da Língua

Dificuldades com a língua portuguesa?


O Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, do gramático e tradutor Domingos Paschoal Cegalla, explica, por exemplo, quando devemos escrever "Santo" e "São".

Usa-se "Santo" antes de nomes iniciados por vogal (como Santo Antônio). Antes de nomes iniciados por consoantes, usa-se São (como São Francisco ou São José).

Fosfeno é cultura


Jornalista feliz é o que está sempre aprendendo palavras novas. Hoje descobri que FOSFENO significa aquela sensação luminosa provocada por outro agente que não a luz (pressão sobre o globo ocular ou estímulo elétrico).

Toque de mestre com João Cabral de Melo Neto

Qualé o texto que você mais gosta? "Eu prefiro o seco, porque é contundente", ensina o poeta e diplomata pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

Inêz Cabral e o pai, o poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto

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"Editar é cortar palavras", dizem os bons. Essa tesourinha aí deve ser sua amiga. O texto tá chato? Corte sem dó. Tá delicioso, mas é longo? Corte com tato. Pra que "ficar no ar" mais tempo do que o necessário? Desapega.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Miniperfil Klester Cavalcanti: o jornalismo e o medo

Antes de escrever Dias de Inferno na Síria, sobre sua experiência de ter sido preso pelo governo sírio em 2012, durante uma cobertura de guerra naquele país, o pernambucano Klester Cavalcanti já tinha publicado Direto da Selva, Viúvas da Terra (Prêmio Jabuti de Literatura 2005) e O Nome da Morte (Prêmio Jabuti de Literatura 2007). Perguntei sobre sua relação com o medo. "O medo me dá prazer", ele disse.

Eu e Kléster durante nosso papo, no dia 11 de fevereiro

Antes de receber o diploma de jornalista da Universidade Católica de Pernambuco, em 1997, Klester já era engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1991. Depois da viagem à Síria, ele vive enfatizando. "Não sou correspondente de guerra. Sou jornalista, que faz de tudo". Inclusive saltar do maior bungee jump do Brasil, com 86 metros, em Paulo Afonso (BA).


"Prefiro me arriscar do que ficar frustrado depois"


 Nas 285 páginas do livro, Klester descreve sua experiência com tantos detalhes que parece que a gente está vendo um filme. Com prefácio de Caco Barcellos, a obra rendeu mais um jabutizinho para a coleção do autor.


Nesta entrevista gravada em 11 de fevereiro de 2015, Klester Cavalcanti fala sobre as qualidades de um repórter de guerra e sua relação com o medo. Conta sua primeira aventura em alto mar e a reflexão que faz cada vez que salta de bungee jump.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Afirmar é melhor que negar


Quanto menos "não" no seu texto, melhor. Como aprendi isso há anos, esqueci a explicação exata. Mas é ciência. Funciona mais ou menos assim: o cérebro dá "duas voltas" para processar a palavra não. Repare como fica diferente.

Se você quer dizer: "Não estou com fome".
Escreva: "Estou sem fome".

Se você quer dizer: "Você não fez a coisa certa".
Escreva: "Você fez a coisa errada".

Se você quer dizer: "É muito difícil não reagir".
Escreva: "É fácil reagir".

Lembre-se: escrever é pensar. Ser positivo ajuda no texto - e na vida. E nas situações em que for impossível retirar o não de uma frase, mantenha-o. Serão poucas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dicionários para colecionar: O Pai dos Burros


De Humberto Werneck, O Pai dos Burros (editora Arquipélago) reúne clichês e lugares-comuns que o jornalista cuidadoso evita. A lista é poderosa. "Matar dois coelhos com uma cajadada só" é o meu preferido na letra M. "Caiu na rede, é peixe", na letra P.

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"Os clichês têm origem no 'medo do desconhecido', no conforto medíocre de quem, preferindo não arriscar, se basta com fórmulas prontas", afirma o jornalista norte-americano H. L. Mencken, citado na introdução do livro. "Se escrever vale a pena, deve ser para enunciar algo que se pretende novo - e me parece um contrassenso, sobretudo no jornalismo, tentar passar o novo com uma linguagem velha", arremata Werneck (para ler as crônicas de Humberto Werneck no Estadão clique aqui).