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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Bons repórteres atraem a notícia

Foto: Mylton Severiano

Eu e Guga, num restaurante qualquer de Floripa, ano 2002. Naquele dia, eu discutia com meu pai, meu mestre na profissão de jornalista, sobre como bons repórteres atraem a notícia. Eu estava teimando que não era bem assim, que esse papo de "ter estrela" nem sempre é real, e tal. Daí o Guga apareceu do nada. E calei a boca, claro. Sim, pai, você tinha sempre razão. Bons repórteres atraem a notícia, assim como bons profissionais, em qualquer área, atraem as melhores oportunidades. Ser positivo é isso.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A pior droga é a desinformação

Reportagem sobre drogas tem aos montes, a maioria em cima da mesma tecla, "legalizar ou não?". Neste livro, encontrado no sebo estante virtual, o jornalista Mylton Severiano (meu falecido pai e mestre, a quem devo a criação deste blog) enriquece a conversa partindo de uma questão básica que jornalista nenhum pode ignorar ao pegar esse tema pela frente: "Por que o ser humano usa drogas?"

Em 11 capítulos, o livro fala de álcool, anfetaminas, ayhuasca, cocaína, crack, ecstasy, haxixe, LSD, maconha, opiáceos e tabaco -tanto drogas lícitas quanto ilícitas. "Se Liga - O Livro das Drogas - O que pais e filhos, mestres e alunos devem saber antes de aprovar ou condenar" tem reportagem de Davi Molinari, prefácio de Caco Barcellos, entrevista com Erasmo Dias e participação especial de Luiz Sergio Modesto. Editora Record, 1997. Como diz o autor logo no início, "a pior droga é a desinformação".

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O dia que eu virei jornalista


Segunda-feira, 02 de fevereiro de 1987:
Com 19 anos, saio de casa para o meu primeiro dia de trabalho na sucursal do jornal carioca O Nacional achando que vou ser produtora, secretária ou algo assim.
Dirijo minha Vespa azul prateada a caminho do semanário dirigido pelo jornalista Tarso de Castro (pai de João Vicente de Castro, um dos comediantes do Porta dos Fundos).
Na redação paulistana trabalham meu pai, Mylton Severiano da Silva, Alex Solnik e outros feras como Cláudio Abramo - que ia pouco à redação, de carona com Solnik.
Naquela manhã em que eu cheguei esbaforida, insegura por causa da nova ocupação, encontrei meu pai e a fotógrafa Marisa Uchiyama falando dessa notícia da Folha:


Skinheads tentam invadir o Palace, em São Paulo, armados de facas, estiletes e pedras

Na Folha tinha uma foto dos carecas deitados na rua, algemados de barriga para baixo. "E a versão deles? Isso é a matéria! Será que conseguimos?", meu pai provocou

Eu tinha uns chegados que conheciam os skinheads, podiam ajudar. "Então você faz a matéria", Mylton Severiano decidiu. Daí fiz. Com a fotógrafa Marisa, passei uma manhã em Itaquera com os carecas, fui ver onde viviam, o que pensavam, quem eram, afinal. Rendeu página espelhada (aquela que fica ao lado uma da outra) e chamada na capa.

Na capa, ganhei janela (à direita): a reportagem foi editada no Rio pelo Palmério Dória


Detalhe da capa em destaque: estreei no time de Tarso de Castro e Cláudio Abramo


                                      A página espelhada: uma ao lado da outra para dar destaque



Minha assinatura de estreante: Lidice Severiano da Silva. 
A aranha no detalhe dessa paginação foi tirada do pescoço de uma skinhead. 
Depois dessa matéria, vieram várias outras - até que o jornal fechou. Tristeza.